2ª edição do Seminário Intelectualidade e Consciência Negra promove conversas sobre saúde

Uma plateia atenta ocupa as poltronas de um auditório enquanto um palestrante conduz uma apresentação em uma mesa semicircular de madeira ao fundo. O ambiente possui iluminação focada e os participantes estão distribuídos em diferentes fileiras, acompanhando o evento.

O segundo Seminário "Intelectualidade e Consciência Negra" mobilizou público e palestrantes numa conversa sobre saúde no Auditório do edifício AFP, na última sexta-feira, 28 de novembro. O evento é promovido desde 2024 pelo Comitê de Equidade Racial do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), celebrando o Mês da Consciência Negra.

O foco do encontro deste ano mudou e trouxe para o centro das discussões a presença negra em cargos geralmente associados a pessoas brancas, como explica a analista judiciária Ana Paula Cândida Marinho: “Nós optamos por engrandecer a presença negra, mostrando que existem pessoas negras qualificadas e que ocupam cargos geralmente ocupados por pessoa branca. O público aderiu muito bem a essa proposta, gostou muito do tema escolhido e a participação foi significante”.

Uma mulher negra com longos cabelos escuros sorri lateralmente enquanto está sentada em uma cadeira de couro preta. Ela veste uma blusa sem mangas em tom azul-claro, e a foto foca em seu rosto contra um fundo neutro.

Neste sentido, foram realizadas duas palestras na tarde do encontro. A primeira foi "Autismo — entender para conviver melhor!”, ministrada pelo médico pediatra e professor da Faculdade de Medicina de Barbacena, Eurico Machado; a segunda foi “Hábitos da vida saudável”, realizada pelo médico Weverton Siqueira.

O propósito fundamental do evento é ratificar na sociedade que as pessoas negras são profissionais de qualidade, como médicos, juízes, fotógrafos, jornalistas, que dominam múltiplos assuntos. O juiz federal Grigório Carlos dos Santos também ressaltou a importância da sociedade ver materializados exemplos de pessoas negras em postos de trabalho qualificados: “As pessoas precisam se acostumar a ver um negro doutor, as pessoas acostumarem a ver um negro cientista, um fotógrafo de renome qualificado e negro, um jornalista qualificado que seja negro e um juiz negro”.

Um homem negro de terno e gravata, com óculos de armação fina, fala ao microfone enquanto gesticula com a mão esquerda. Ele está sentado em uma cadeira de couro preta e sorri levemente durante sua fala em um ambiente de conferência.

Grigório cita como exemplo Belo Horizonte, sede do TRF6, que tem pouquíssimos juízes negros, notadamente na Justiça Federal. "Você tem praticamente dois ou três negros aqui em Belo Horizonte, num universo de mais de 130 juízes federais, você tem uma juíza negra e dois ou três juízes negros. É muito pouco. As pessoas precisam se acostumar, precisam ouvir e ver as pessoas negras nesses postos de relevância, para se acostumarem com isso”.

Evento continua em dezembro

Na próxima semana, dia 9 de dezembro, a partir das 16h, mais uma palestra do Seminário encerra a programação do evento: o encontro com o médico psiquiatra Júlio Cesar Menezes Vieira. O tema da palestra é “Alcoolismo no idoso: uma epidemia silenciosa”.

Cinco pessoas posam sorridentes para uma foto em grupo à frente de um painel azul com siglas do sistema judiciário. O grupo é composto por três mulheres e dois homens, vestindo trajes que variam entre o casual e o formal.

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