
Na última segunda-feira (13/4/2026), foi realizada mais uma audiência de instrução e julgamento dos processos criminais relacionados ao rompimento da barragem da Vale, no Córrego do Feijão, em Brumadinho.
A sessão, iniciada às 9h15 e estendida ao longo da tarde, foi conduzida pela juíza federal Raquel Vasconcelos Alves de Lima, da 2ª Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de Belo Horizonte.
A testemunha ouvida foi a engenheira auditora Ana Lúcia Moreira Yoda, arrolada pela acusação e por sete réus. Engenheira civil formada pela Universidade Paulista (1995) e mestre em Engenharia pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (2000), atua na área geotécnica há 26 anos e passou a trabalhar com barragens de mineração em 2014. À época dos fatos, atuava na empresa Tractebel Engineering, onde permanece atualmente.
A Tractebel era responsável pela auditoria de barragens da Vale suscetíveis à liquefação, entre elas a barragem B1, que se rompeu em Brumadinho. A engenheira participou da emissão de Declarações de Condição de Estabilidade (DCEs) para diversas estruturas da mineradora entre 2017 e 2018.
Após prestar compromisso, a testemunha explicou que promovia a avaliação de robustez das barragens a partir de dados fornecidos pela própria Vale. Segundo ela, a atividade de auditoria obedeceu a três pilares: análise dos documentos disponíveis; leitura dos instrumentos de aferição de segurança das barragens; e verificação presencial das barragens.
A engenheira afirmou que a Tractebel recomendou algumas providências à Vale, como a mudança do refeitório e do setor administrativo, áreas com potencial de inundação em caso de rompimento. Disse, ainda, que as atividades de auditoria das barragens foram assumidas pela TÜV SÜD, com a consequente saída da Tractebel, ainda em 2018.
Ela respondeu ainda perguntas sobre as condições da barragem B1 durante suas auditorias, potenciais de dano em caso de ruptura das estruturas, revisão periódica de segurança, uso de Dreno Horizontal Profundo (DHP) e os riscos associados à sua instalação, incluindo a hipótese de fraturamento hidráulico.
A próxima audiência está marcada para sexta-feira (17/4/2026), às 9h15, quando será ouvida presencialmente a testemunha de diversos réus, o engenheiro André Pacheco Assis.
Outras oitivas
No dia 10 de abril, foi ouvida a última testemunha indicada exclusivamente pela acusação, José Assunção Braga Neto.
O depoente é graduado em Engenharia Geológica pela Universidade Federal de Ouro Preto (2008) e mestre em Geotecnia pela Universidade de Brasília (2019), com dissertação sobre taludes de mineração. Atualmente, é professor do Instituto Federal da Bahia (IFBA) e atuou como engenheiro geólogo na Vale entre 2013 e 2019.
Sobre as audiências
Ao todo, estão previstas 76 audiências, na sede do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), com previsão de término em maio de 2027. Serão ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além da realização dos interrogatórios dos réus.
Todas as informações estão disponíveis no Portal do TRF6 no botão “Audiências Criminais de Brumadinho”.
