
Em continuidade aos trabalhos, no dia 17 de abril, foi realizada mais uma audiência de instrução e julgamento dos processos criminais relacionados ao rompimento da barragem B1 da Vale, no Córrego do Feijão, em Brumadinho.
A sessão, iniciada às 9h15 e que se estendeu ao longo da tarde, foi conduzida pela juíza federal Raquel Vasconcelos Alves de Lima, da 2ª Vara Federal Criminal da Subseção Judiciária de Belo Horizonte.
Pela primeira vez, foi ouvida uma testemunha arrolada apenas pelas defesas de diversos réus: o engenheiro civil e professor André Pacheco de Assis.
André Pacheco de Assis é engenheiro civil pela Universidade de Brasília (UNB), com doutorado em Engenharia Civil pela Universidade de Alberta, Canadá. É professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da UNB desde 1989 e possui quase cinco décadas de experiência no segmento de barragens, obras geotécnicas em mineração e gestão de riscos geotécnicos.
Após prestar compromisso de dizer a verdade, a testemunha contou que trabalhou como consultor da Vale entre 2012 e 2020 e que deixou a empresa para evitar qualquer questionamento quanto à imparcialidade e à veracidade de suas opiniões sobre o caso.
Durante o depoimento, explicou que as Declarações de Condição de Estabilidade (DCEs), mencionadas em oitivas anteriores, são instrumentos de acompanhamento situacional das barragens, mas baseadas em dados passados que criariam, em sua opinião, uma responsabilidade equivocada sobre o profissional que assina tal declaração.
Segundo ele, o rompimento da barragem B1 não foi “algo que se deu aos poucos”, o que permitiria registro e controle, mas de “imediatidade abrupta”, não sendo possível se prever.
A testemunha afirmou, ainda, que não participou de reuniões nas quais representantes do Corpo de Bombeiros Militares de Minas Gerais teriam opinado sobre planos de evacuação e rotas de fuga, no caso de eventuais acidentes.
André Pacheco também respondeu questionamentos sobre estudos de risco monetizado, conceitos sobre zonas de risco (verde/amarela/vermelha), causas e correções de fraturas hidráulicas, uso de Dreno Horizontal Profundo (DHP) e sobre os Painéis Independentes de Especialistas para Segurança e Gestão de Riscos de Estruturas Geotécnicas (PIESEM), em suas versões nacional (PIESEM-N) e internacional (PIESEM-I), todos realizados pela Vale.
A próxima audiência está marcada para sexta-feira (24/4/2026), às 9h15, com o depoimento presencial do geólogo Armando Mangolim Filho, também arrolado por diversos réus. Já na segunda-feira (27/4/2026), no mesmo horário, será ouvido o professor Fernando Schnaid.
Sobre as audiências
Ao todo, estão previstas 76 audiências, na sede do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), com previsão de término em maio de 2027. Serão ouvidas testemunhas de acusação e defesa, além da realização dos interrogatórios dos réus.
Todas as informações estão disponíveis no Portal do TRF6 no botão “Audiências Criminais de Brumadinho”.
